sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

STILL CRAZY?







Claro! Não evitei nenhuma das loucuras que a vida me proporcionou. E as que me escaparam, ou não valiam a pena, ou lamento não as ter cometido. Infelizmente houve algumas que me passaram ao lado. Felizmente, há ainda muitas para fazer. Mas toda esta sucessão de loucuras começou à muito tempo atrás, já passaram uns 25 anos. A vida louca começa na adolescencia, na escola. É a saída do bairro para o mundo. É onde tudo começa. As primeiras amizades, paixões, ilusões e desilusões; o pátio da escola, é um enorme estádio onde surgem os primeiros pequenos craques; na mata, às escondidas fumam-se os primeiros cigarros, sinais de fumo de rebeldia; pelos corredores, aspirantes a modelos, passerelle de fashion victims ainda por definir; os primeiros combates políticos pela Associação de Estudantes, inocentes e desprovidos de conteúdo ideológico, numa ingénua reprodução da realidade; outras lutas mais violentas, de jovens machos em processo de afirmação; a corrida para o bar, o refeitório, a mesa de ping pong ao toque de saída e para as aulas já depois do segundo toque; depois as aulas, palco de comédias e tragédias, onde se exibem potenciais génios e comediantes, entre aplausos e lágrimas; e fora da escola, ainda maiores aventuras da ida ao cinema, às excursões para longe, muito longe da inocência de origem; ainda pelo meio as matinés às quartas-feiras, uma peregrinação cerimonial ao Cabaret, que era o que estava a dar! Tudo isto um tubo de ensaio para a vida...



A aventura da vida começa depois. A universidade para uns, o trabalho para outros e à medida que os loucos anos 80 chegam ao fim, vai-se perdendo o contacto, o rasto dos protagonistas dos melhores anos das nossas vidas. Aos poucos tornam-se gloriosas memórias, cada vez mais vagas e distantes. Na verdade, foi apenas o começo, porque a vida em si é uma crescente loucura. Ainda que o tempo acalme os espíritos mais irrequietos, o começo determina muito do resto do percurso. E tantas pessoas que levam uma vida estranha, tantas pessoas que mudam... enquanto devagar, ia levando a minha louca vida, pensava onde estavam essas pessoas especiais. Talvez as encontrasse algures num dia de praia, ou numa noite de festa numa floresta. Isto porque pensamos sempre que depois da primavera da vida, vem sempre um eterno verão. Porque aqueles que tive o privilégio de estar mais ou menos próximo, sempre foram estrelas cintilantes, numa noite de verão.



O que nunca pensei, nem nos meus delírios mais extravagantes, foi reencontrar todos de uma só vez! Todos não, porque faltaram alguns muito importantes, como o Lança, companheiro inseparavél ou o "Olho", em quem o Ricardo Araújo Pereira se deve ter inspirado e outros, um dos quais, pela ausência nesta existência, o nome fica reservado no meu coração. Mas este dia aconteceu. E foi uma noite muito melhor do que poderia imaginar. Simplesmente perfeita. Tão simples e tão perfeita, que nem pareciam ter passado 25 horas, quanto mais 25 anos! Estávamos todos ali, como sempre estivessemos estado. Ainda para mais no WOW!, a minha mais recente loucura. Indiscricitivel, como um sentimento de um abraço, um cumprimento, um beijo... tão simples, sincero, puro. Depois, todos estavam melhores, um sonho cinematografico, com as maiores estrelas da nossa juventude. E não me refiro ao aspecto exterior, mas à voz da Ivone, o brilho da Sofia e da Luísa, a Anita ainda Anita, a descontracção do JP, o Rêgo que veio de Oeiras com o pretexto de comprar tabaco, apenas para dar um abraço e a Paula...magra! É muito difícil explicar tanta simplicidade e naturalidade, como a simplicidade da própria natureza. Foi o regresso a uma natureza, que embora esquecida, nunca esteve ausente. Não são palavras que descrevem, um sentimento obviamente colectivo, único, ainda melhor... perfeito.



E esta realidade, que supera a imaginação, foi tão especial que até manteve a banda sonora original, interpretada pelo próprio autor: Mário Rui, obrigado por teres composto a banda sonora da nossa juventude, mas muito mais que isso, por nos lembrares a importância da amizade.



Post Scriptum: Obrigado a todos, especialmente aqueles que não foram aqui referidos individualmente, somos todos importantes. Queiram todos desculpar alguma falta de atenção, pretendo compensar pessoal e exclusivamente o mais breve possível. Foi a melhor noite de sempre no WOW! e nunca irei esquecer na minha vida. Simplesmente perfeita.

1 comentário:

  1. Só hoje li esta tua peça e se já me tinha sentido mal por ter faltado, agora ainda tou pior. Esse 2º Encontro é para quando? Ainda é muito cedo? Dá-se mais um tempo?
    Fica ao teu critério meu bom amigo.
    Deixo-te um abraço e parabéns pelo riquíssimo texto.

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