segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Devemos nos comportar com os nossos amigos do mesmo modo que gostaríamos que eles se comportassem conosco.


Amigos, ainda…Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas deitadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos fins de semana, dos fins de ano, enfim…do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, cada um segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe…nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices…Aí, os dias vão passar, meses…anos… até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamos-nos perder no tempo…. Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão:“Quem são aquelas pessoas?”Diremos…que eram nossos amigos e……isso vai doer tanto! “Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!” A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente……Quando o nosso grupo estiver incompleto…reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo… Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades…. Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!





Este texto é longo e a conversa é séria. Porque fala de amigos e se trata de um assunto importante e complexo. Mais do que quem são, o que são os amigos? O que define a amizade? Que sentimento é este? Alguém se lembra do primeiro amigo? Alguém sabe quem será o próximo? E o melhor amigo? De agora ou de sempre?


Na infância, nem os escolhemos. Com a inocência própria, surgem naturalmente a nossa volta e por milagre (ou não), permanecem até à idade adulta. Mas não pensamos muito nisso, são os índios e cowboys, os policias e ladrões, que por circunstancias alheias, são substituídos por outros.


Muda-se de escola, muda-se de cidade e a amizade surge por padrões de grupo: somos do mesmo bairro, do mesmo grupo, da mesma escola, da mesma equipa. Somos mais do mesmo na adolescencia, com a ilusão de que o sonho (e consequentemente as amizades) nunca vão terminar.


Depois vem a tropa ou a faculdade, tanto faz, porque são formas de acesso à idade adulta e chegam os camaradas de caserna ou os colegas de curso e os juramentos instituicionais. Porque são tempos difíceis, imitações da vida real, estes parecem definitivos.


Por fim, os colegas de trabalho sempre solidários, os amigos das noitadas de copos, os novos familiares, os novos vizinhos e os amigos dos amigos. Tantos amigos. E devo ter esquecido alguns, como os amigos dos escuteiros, da ginástica, dos familiares, das festas, das namoradas...


Inevitavelmente, não mantemos todos os amigos toda a vida, por isso quero pedir desculpa a todos os amigos que desde a infância, não consegui retribuir a amizade. Se não estamos juntos hoje, a culpa é de ambos ou se nos quisermos desculpar, da vida. Mas mais importante, quero lembrar aos meus amigos de hoje, todos os amigos importantes, que tiveram antes de mim e sobretudo, aqueles que irão ter depois de lerem este texto. Preservem-nos, cultivem a amizade, mas não se iludam: a vida ou vocês próprios, poderam tornar mais ténue, essas amizades.


Aos meus amigos distantes, no tempo e no espaço, espero que estejam vivos, felizes e de boa saúde.



Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter um brilho questionador e uma tonalidade inquietante. A mim não me interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos. Fico com aqueles, que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero o meu contrário. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos, pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigos que não riem juntos, não sabem sofrer juntos. Os meus amigos são todos assim: metade brincadeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade a sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, loucos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.





Quem são os amigos? Cada um tem o seu critério e isso eu não discuto. Oscar Wilde dizia: "Devem-se escolher os amigos pela beleza, os conhecidos pelo carácter e os inimigos pela inteligência." Nem todos são amigos. Na vida, os amigos são poucos, os conhecidos muitos e os inimigos dependem da vida de cada um. Escolher amigos pela beleza, conhecidos pelo carácter e inimigos pela inteligência, é uma formula simples. Os amigos belos, trazem mais opções de conhecidos, que tendo bom carácter acrescentam algo à nossa existência e os inimigos inteligentes, são sempre um estimulo maior, para uma melhoria do nosso ser.


Mas como eu disse este é um texto difícil e complexo e assim prefiro a introdução deste paragrafo. Os amigos são reconhecidos nos olhos. No espelho da alma. São os que me contrariam e não se irritam comigo. Não pensam como eu e me fazem pensar o contrario. Os que me deixam desesperado e não se desesperam comigo. Mas que peçam e exijam desculpas, pelos erros naturais da amizade. Que me façam rir, quando me apetece chorar e chorar de tanto rir. Preciso que me levem ao céu, quando estou morto e enterrado e que me tragam de volta à terra quando estou na estratosfera. Que me façam cometer as maiores loucuras e que me lembrem das responsabilidades. Não é fácil ser meu amigo e eu conheço tanta gente...



Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.




Assim, amigos, conhecidos e inimigos, ficam a saber que eu sei quem vocês são. Não se enganem e não me queiram enganar. Os amigos sempre aqui estiveram, muitas vezes a gritarem com os meus erros, outras vezes calados a ajudar. Os conhecidos estiveram, atentos, reclamando de um café menos conseguido ou estimulando para uma imperial melhor. Os inimigos, apareceram duas ou três vezes, invariavelmente bêbados e fora de horas, com cinco euros no bolso, abraços falsos para esbanjar e com um desejo secreto de que o WOW! seja uma desgraça, sem pensar que isso iria revelar a vossa qualidade.


A amizade, como qualquer outro sentimento, não se dá nem se tira: ganha-se e perde-se. Infelizmente ou felizmente, os grandes amigos de hoje podem ser apenas conhecidos amanhã, os conhecidos amigos ou inimigos e até os inimigos deixarem de o ser.


No WOW! todos são clientes. Espero que um dia, todos possam ser amigos.

E eu escrevo tudo isto, porque por vezes, devemos questionar a amizade. Como tudo na vida. E este é um desses momentos.


Ainda não sei se o WOW! é um sucesso ou uma desgraça, mas de alguma forma, fez-me pensar na amizade e nos amigos.


Sendo um sucesso, a quantidade de amigos deveria aumentar. Mas na verdade, vou ganhando clientes à medida que vou perdendo amigos.


Sendo uma desgraça, torna-se óbvio quem são os verdadeiros amigos e a enorme felicidade de os ter.


Sucesso ou desgraça, o WOW! já foi útil para diferenciar amigos de conhecidos e de inimigos. Quem leu até aqui, já sabe em que categoria se pode incluir, porque escrevo para os meus amigos com um interior belo, os conhecidos pelo carácter forte (inevitavelmente, por vezes também fraco) e os inimigos de sabedoria astuta.


A amizade, como qualquer outro sentimento, não é estática. E a forma como evolui depende de nós. Amigos e inimigos, não o são eternamente. E quem conheces hoje, pode ser amigo ou inimigo amanhã. Na minha utopia, gostava de um dia ter só amigos, mas como os poderia valorizar, se não fossem os inimigos?


No WOW! todos são clientes. Infelizmente, das 8 às 24h, até os inimigos. Mas para os conhecidos, o horário é mais extenso. E para os amigos, uma porta sempre aberta.

Sem comentários:

Enviar um comentário